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Chã de Alvares - Reflexões

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Chã de Alvares - Reflexões
Poderão ter sido lançadas as sementes para o futuro com a ZIF e na BTL

Por José Manuel Simões Anjos
No fim de semana de 16 e 17 de Janeiro Chã de Alvares esteve representada em duas iniciativas, que embora possam ter para uns pouco interesse e para outros uma importância muito relativa, podem no meu entender ser iniciativas muito positivas, atrevendo-me a compará-las a uma semente que se deita à terra, e que depois, se for devidamente regada, tratada e cuidada, nascerá, crescerá e. dará furto; no entanto, se for simplesmente lançada para a terra árida, e deixada ao abandono, mesmo que consiga nascer, acabará por definhar e morrer, sem que dê qualquer fruto.
Vem isto a propósito da apresentação da ZIF - Zona de Intervenção Florestal - da Ribeira do Sinhel, ocorrida no dia 16 na Casa do Concelho de Góis, onde alguns chãnzenses e representantes da Liga de Melhoramentos estiveram presentes e ainda a presença do Concelho de Góis e da Casa de S. Francisco de Chã de Alvares, na BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa.
Quanto à ZIF, fiquei bem -impressionado, não só com a garra e dinamismo dos oradores e mentores da mesma, mas também com o modo como pensam a gestão da floresta num sistema de minifúndio como é. o caso da~ freguesia de Alvares. Sente-se que há ali alguma estratégia e que o projecto tem pernas para andar. No entanto, dois grandes entraves terão de ultrapassar: Um será a legalização dos prédios rústicos, por parte de muitos potenciais interessados, pois não nos podemos esquecer que muitos dos terrenos - senão mesmo a maioria - ainda estão registados no nome dos nossos pais, avós e até bisavós e com problemas de partilhas por resolver e alguns sem solução à vista, ou mesmo que ela exista, por vezes com custos de legalização e registo muito superiores ao valor das próprias propriedades, o que retrai os interessados e inviabiliza todo o processo.
O outro entrave será a mudança de mentalidades, o lutar contra os "velhos do Restelo", o pensar e planear a médio' e longo prazo e não esperar que a ZIF, seja o santo milagreiro que resolve na hora todos os problemas que até agora nem os proprietários nem ninguém conseguiu resolver, e de que o exemplo em forma de aviso dado na apresentação foi paradigmático: -" ... não esperem que ao aderirem à ZIF, no próprio ano ou no seguinte. irão ter todas as vossas propriedades limpas".
Por isso, seria de todo o interesse começar-se também 'a sensibilizar e a trabalhar com as novas gerações que sendo já filhos e netos dos naturais e actuais proprietários, têm uma visão mais abrangente, nomeadamente em áreas como o ambiente, o lazer e a economia. E por falar destas áreas, gostaria que a ZIF - embora as empresas ligadas às celuloses tenham sido das primeiras a aderir - não fosse dominada e pensada apenas para e pela cultura do eucalipto, pois eucaliptos já a freguesia de> Alvares tem em demasia, faltando isso sim apostar noutras espécies nomeadamente' as folhosas, bem como a preservação e melhoramento da paisagem, criação de áreas de mato para a pastorícia - não esquecer que acaba de ser criada a Confraria do Cabrito no Concelho de Góis - e para a preservação da "urze" afim de se poder continuar a produzir o mel de excelente qualidade e que está devidamente certificado como "Mel Serra da Lousã", e que é considerado dos melhores méis do mundo, senão mesmo o melhor .
A outra iniciativa que quero destacar foi a presença do Concelho de Góis e da Casa de S. Francisco - Unidade de Turismo em Espaço Rural- na exposição da BTL, realizada no Parque das Nações, onde ambos estiveram representados cada um com seu stand.
Se para o Concelho de Góis o objectivo era fundamentalmente dar-se a conhecer - e assim cativar investidores e visitantes, afim de se tomar' um possível destino turístico, nomeadamente nas áreas da natureza, gastronomia e património - para a Casa de S. Francisco o objectivo erá promover-se e impor-se no mercado hoteleiro; na 'vertente do turismo rural, um mercado cada vez com mais procura e clientes, mas também cada vez mais exigente e sofisticado. Julgo pois que ambos conseguiram atingir os seus objectivos, já que durante o tempo que ali permaneci, o movimento junto dos respectivos stands foi muito, com os visitantes a fazerem muitas perguntas, nomeadamente sobre a localização do concelho e a mostrarem interesse pelos vários folhetos e objectos expostos. Por isso, é fundamental pormos o Concelho de Góis no mapa, dá-lo a conhecer, promovê-lo. E é com iniciativas como estas que o podemos fazer e assim contribuir para o seu desenvolvimento. De certeza absoluta que investimentos como estes terão seu retomo assegurado e a curto prazo.
Para isso temos de continuar a apostar forte e principalmente bem e sobretudo de forma inteligente e organizada nestas duas áreas: A floresta e o turismo.
in O Varzeense,30/01/2010


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