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Góis em Notícias
Janeiro - Livro de horas do Duque de Berry
portanto
ADIBER - Tomada de Posse dos Novos Corpos Sociais
Lurdes Castanheira e José Albuquerque Homenageados Pelo Trabalho Desenpenhado
No passado dia 27 de Janeiro, no Auditório da Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Serra (ADIBER) teve lugar a cerimónia de tomada de posse dos novos Corpos Sociais da Associação para o biénio 2010/2011, com José Cabeças a continuar à frente dos destinos da Associação.
Esta iniciativa, seguida de um jantar convívio, teve início cerca das 19,30 horas e contou com a tomada de posse de todos os elementos dos Corpos Sociais e uma singela homenagem de reconhecimento à actual presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr," Maria de Lurdes Castanheira e ao presidente do Agrupamento de Escolas de Góis, Prof. José Albuquerque, pelo trabalho que ambos desempenharam na direcção da ADIBER, desde a data da sua fundação.
A iniciar a sessão, o presidente da Assembleia Geral, Carlos Alberto Castanheira proferiu palavras de reconhecimento pelo empenho, entrega, disponibilidade e sacrifí- cio de todos os que têm contribuído para que a ADIBER tenha feito o que fez até à data e realçou o trabalho exemplar de Maria de Lurdes Castanheira e de José Albuquerque, que actualmente deixaram de fazer parte dos órgãos sociais desta "casa" onde estavam desde a sua criação.
Carlos Castanheira deixou ainda votos de felicidades para os novos corpos sociais e passou a palavra ao presidente da direcção cessante e actual, Dr. José Cabeças, que iniciou o seu discurso afirmando: "passaram já 15 anos sobre o momento em que vários cidadãos interessados e empenhados no engrandecimento do concelho de Góis, abraçaram o desafio de criar uma Associação de Desenvolvimento capaz de resolver um conjunto de novas necessidades que não tinham enquadramento nas respostas que eram disponibilizadas pelas Entidades e Instituições da época.
José Cabeças, relembrando um pouco da história da instituição, continuou: "três anos volvidos, em 1997, e fruto do trabalho até então desenvolvido, a acção da Associação foi alargada a toda a região da Beira Serra, conferindo-lhe uma responsabilidade acrescida - que tem sabido assumir e manter até ao presente".
Referindo-se à acção da ADIBER, o seu presidente alegou: "muito trabalho tem sido possível concretizar, muitos projectos foram apoiados, muitas pessoas e famílias beneficiaram da nossa acção, sobretudo as que se encontravam em situação mais vulnerável, tendo-lhes sido dada a oportunidade de aceder a patamares superiores de qualidade de vida".
José Cabeças reconheceu, no entanto, que "este caminho não tem sido fácil" e acrescentou: "muitos obstáculos, muitas dificuldades se têm atravessado no nosso caminho", mas, assegurou: tais constrangimentos só dão força e motivação para nos empenharmos mais e mais na prossecução dos nossos objectivos, ou seja, contribuir para uma região, economicamente mais competitiva, socialmente mais justa, ambientalmente mais sustentável e culturalmente mais dinâmica."
O edil da Associação agradeceu e reconheceu a disponibilidade dos seus dirigentes, funcionários, associados e todos os parceiros, que têm colocado as suas competências ao serviço da Associação.
A finalizar o seu discurso, José Cabeças dirigiu-se à Dr," Maria de Lurdes Castanheira e ao Prof. José Albuquerque Ângelo, elogiando o trabalho que desempenharam na ADIBER, desde a sua fundação, em 1994, "pela disponibilidade, empenho e determinação ", conferindo a estes ex-dirigentes, conforme frisou: " um exemplo que pode e deve ser seguido."
O presidente da Associação encerrou o seu discurso afirmando: "apesar das dificuldades, podem contar com o esforço e disponibilidade da direcção da ADIBER e dos restantes órgãos sociais ... "
No final da cerimónia, presidente da direcção entregou uma lembrança à Dr," Maria de Lurdes Castanheira e ao Prof. José Albuquerque Ângelo, como símbolo de reconhecimento pelo que fizeram pela ADIBER.
Confrontado pelo jornal O VARZEENSE, José Albuquerque referiu que não aceitou continuar nos órgãos sociais da Associação. porque entende estar chegado o momento de dar o lugar a outros, começando a dedicar mais tempo à sua família, por sua vez, a Dr," Maria de Lurdes Castanheira, julgando ser o melhor nesta ocasião, não descarta a possibilidade de um dia mais tarde voltar a fazer parte da direcção desta Associação, e assegurou continuar a dar o seu contributo, sempre que possível, mantendo-se atenta para que a Associação possa prosseguir da melhor forma o trabalho desenvolvido ao longo de uma década e meia de existência.
A presidente da Câmara Municipal de Góis afirmou ainda que sai de consciência tranquila e de forma voluntária, apenas por uma questão institucional, visto que, ambas as instituições (Câmara e ADIBER) agem de forma transparente e em nome da transparência e de todo o interesse público, resolveu sair, embora não havendo nenhuma Lei que a obrigasse a tomar essa decisão, conforme afirmou.
Apesar do alto preço do voluntariado, Lurdes Castanheira deixou a direcção da ADIBER fazendo um balanço positivo e referindo que foi onde mais aprendeu, assegurando que não saiu com nenhuma mágoa e deixando votos de felicidades e bom trabalho para os novos órgãos sociais.
Actuais Órgãos Sociais da ADIBER
Mesa da Assembleia Geral
Presidente ~ Carlos Alberto Carvalho Castanheira
Vice-Presidente - Erminda Maria Alves Muro
Secretário - José Augusto de Oliveira Rodrigues
Secretário (Suplente) - José Francisco Tavares Rolo
Direcção
Presidente - José Domingos de Ascensão Cabeças
Secretário - Eduardo Miguel Duarte Ventura Tesoureira - Maria Luísa Ferreira da Silva
Vogal - Valentim Antunes Rosa
Vogal - Maria de Lurdes Costa Serôdio Barata
Vogal (Suplente) - João Miguel Carvalho Mourão
Vogal (Suplente) - Maria Elvira Barata da Costa
Conselho Fiscal
Presidente - Hélder Jorge Pereira Antunes Barata
Vogal - Junta de Freguesia de Alvares - Victor Jesus 11arques
Vogal - Sandra Cristina Sacramento Henriques David
Vogal (Suplente) - Ana Luísa Santo Duarte Oliveira
Vogal (Suplente) - Carlos Alberto Fernandes Gomes.
in O Varzeense, 30/01/2010
Rancho Folclórico Serra do Ceira
Assembleia-Geral
Convocatória
.
De acordo com os Estatutos, vai realizar-se uma Assembleia-Geral de sócios, para o dia 21 de Fevereiro de 2010, às 10.00 horas, no edifício da Junta de Freguesia do Colmeal com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Análise e votação do Relatório e Contas da Direcção e Parecer do Conselho Fiscal, relativo ao ano de 2009.
2. Análise e votação dos valores da quota de associados.
3. Análise e aprovação do Plano de Actividade para o ano de 2010.
4. Outros assuntos de interesse para o Rancho.
Nota: Se não houver associados suficientes para reunir em 1ª convocatória, a Assembleia reunirá trinta minutos depois com qualquer número de presenças.
Colmeal, 22 de Janeiro de 2010
O Presidente da Assembleia-Geral
António Jorge Henriques de Almeida
in "O Varzeense" Nº 528, de 30 de Janeiro de 2010
<a href="mailto:jrochabarros@sapo.pt?subject=O meu comentario (Rancho Folclorico Serra do Ceira ) &body= Para validar o seu comentario por favor informe : nome, email e pseudonimo (se o preferir usar para assinar o seu comentario). Nao publicamos comentarios anonimos.">Comentar noticia.</a>
Novo Centro Escolar em Alvares
Adriano Pacheco
Por razões que se prendem com obrigações dos dias de festividade, estivemos de visita à nossa terra, vila de Alvares, onde permanecemos algum tempo por aquelas paragens, deixando-nos envolver pelos seus encantos e recantos que fazem parte das nossas memórias de infância. Visivelmente despovoada, esta terra, vai-se compondo com os seus filhos que, apesar de dispersos por vários locais, lá se vão encontrando. É nestes momentos que se juntam, se encontram e matam saudades.
Para lá das vistas encantadoras desfrutadas do cimo do altaneiro e belo Cabeço, local de visita obrigatória que nos toca, por ali se encontrar instalado o cemitério onde todos nós temos entes queridos, não podemos deixar de visitar também, com muito interesse, um local mais centralizado e vistoso, onde se encontra em plena construção o novo centro escolar em avançado estado de edificação, para não dizer com toda a estrutura em pé a qual nos dá uma ideia da sua dimensão. Assim nos pareceu este novo equipamento escolar.
Todos os indícios da obra, em franco e elevado crescimento, nos deram a ideia de que a Câmara Municipal de Góis está a erguer um adequado e belo parque escolar, que se adivinha vir a ser apetrechado com valências necessárias ao fim a que se destina, satisfazendo as actuais exigências do ensino moderno. Isto resulta apenas e tão só do que nos foi dado observar. Trata-se, por isso, dum equipamento social bem localizado, de enorme utilidade pública, cuja centralidade terá grande impacto no desenvolvimento intelectual das crianças da região.
Se este futuro equipamento - escolar for dotado de técnicos das várias áreas do ensino, as crianças desta freguesia vão podei ali encontrar as condições ideais para o seu cresci- mento e desenvolvimento intelectual, coisa que não seria possível se elas fossem distribuídas por vários estabelecimentos de ensino menos equipados, já que estas não podiam ter as condições que ali estão a ser criadas. Importa entender a lógica desta concentração de meios num local de condições adequadas.
Só assim eles poderão ser trem rentabilizados, juntamente com os devidos técnicos, donde resultarão efeitos positivos no aproveitamento escolar.
Da construção deste novo centro escolar vai resultar, inevitavelmente, a desactivação da antiga escola, cujo edifício bem localizado e em boas condições de utilização, vai tomar-se alvo de algumas cobiças para outros projectos a desenvolver. Do nosso ponto de vista, é preferível que ela venha a ser bem utilizada em benefício da comunidade, do que ficar sem qualquer uso, sujeitando-se a uma contínua e triste degradação. Isto não beneficiaria ninguém. Porém, a decisão sobre a sua futura função será ditada pelos o competentes.
Da nossa parte, desejamos que venha a ser um local de utilidade pública com bom aproveitamento gentes desta região.
in O Varzeense, 15/01/2010
GRUPO DE CORDAS E CANTARES DA VÁRZEA
Adriano Baeta Garcia, Engenheiro
Fez, nesta quadra natalícia, 17 anos, que o Grupo de Cordas e Cantares da Várzea, num gesto de boa vontade e humanidade, levou a .efeito o "Cantar das Janeiras", tendo como finalidade angariar fundos para a construção de um Lar da Terceira Idade.
Fim meritório e de longo alcance para os idosos desta freguesia, e não só, que mais tarde se viria a concretizar.
Passo a descrever parte de' um artigo que escrevi neste mesmo jornal em 1992: .
"Com a aproximação do Natal, Ano Novo e Reis, surgiu; com o consenso de todos os elementos. do Grupo, a ideia de se cantarem as "Janeiras" em toda a freguesia, com a finalidade de angariar fundos para o lançamento do . Lar da 3ª Idade que, quanto a nós, é de um altíssimo interesse para todos os habitantes da nossa Várzea.
Entendemos que, é obrigação de todos os varzeenses, forças políticas, forças religiosas, instituições privadas e organismos do próprio Estado, apoiarem esta iniciativa dando satisfação à resolução de um dos mais graves 'problemas que é posto à
nossa sociedade e que tantas injustiças origina a pessoas que depois de uma vida cheia' de dificuldades, com a criação de filhos e alguns até netos, são atirados para o abandono da antecâmara da morte.
A nossa expectativa perante a forma como a nossa gente iria reagir. a esta iniciativa não nos deixou quaisquer dúvidas de que a generosidade e a preocupa- ção com o seu semelhante, 'são valores que não estão esquecidos entre nós.
Foi de facto gratificante ver como o Grupo foi recebido por toda a população em geral e a . sua disponibilidade em colaborar neste género de iniciativas que por todos é reconhecida como necessária para todos nós.
Percorremos, durante alguns dias e noites todos os lugares da freguesia, tocando as "Janeiras" e dando as Boas Festas, constatando com muita satisfação que todos faziam questão de nos ouvir e .contribuir com as suas dádivas para tão meritória obra.
Não escaparam os próprios elementos do Grupo que também contribuíram pecuniariamente com as suas dádivas.
0 Grupo preparou a acção das "Janeiras"; ensaiando três músicas que foram em tempo cantadas na nossa região e para tomar mais verdadeira esta velha tradição, os seus componentes, tentando ser fiéis aos seus antigos trajes usados em épocas recuadas, vestiram-se de acordo com as mesmas.
Elas, de saia de fantasia, blusa e capucha, sendo estas de formatos e panos diferentes.
Eles, de calça e casaco normais e capa tipo alentejano, com carapuça preta na cabeça.
O resultado final deste peditório foi: Dádivas em dinheiro, 239,220$00 (duzentos trinta e nove mil e duzentos e vinte escudos); chouriço, 1.
Lanço daqui um apelo à laboriosa e sempre atenta colónia de varzeenses espalhados não só por Portugal, mas por todo o Mundo, pois pelos mais longínquos pontos do planeta encontrei sempre portugueses que com, muita saudade e nostalgia não se esquecem da sua terra natal, por mais escondida que ela se encontre entre as serranias ou a planície alentejana.
O Grupo de Cordas e Cantares da Várzea está sempre disponível para se integrar em iniciativas que tenham a finalidade de tentar resolver problemas que, como este, nos preocupam profundamente.
Tencionamos no presente ano, levar a efeito a realização de actuações em todas as freguesias do concelho de Góis e se isso se proporcionar, fazer a nossa apresentação aos conterrâneos em Lisboa."
Pena é que já não pertençam ao número dos vivos alguns elementos deste Grupo como sejam: a Laura, o Albertino e a Manuela.
Vila Nova do Ceira, Janeiro de 2010
Coimbra assinala 100 anos da república a partir de domingo
“Um país sem alma
é um país sem pátria"
A implantação da República “foi algo muito bem preparado e que mobilizou camadas mais desprotegidas da sociedade”, sintetiza o coordenador das comemorações, Amadeu Carvalho Homem. Hoje, observa, “temo estarmos a criar gerações de jovens apaticamente apátridas”
Diário de Coimbra (DC) A primeira iniciativa de comemoração do centenário da Republica é no próximo domingo, dia 31 de Janeiro. A data foi escolhida para assinalar o golpe de 1891?
Amadeu Carvalho Homem (ACH) Sim, assinala a Revolta Portuense, que foi a primeira tentativa armada contra o regime monárquico, e que foi verdadeiramente emblemática. Foi um episódio romântico, pouco preparado, e essa míngua de preparação foi o que lhe custou o sucesso. Colaboraram apenas três oficiais, todos os outros tinham uma baixa patente.
DC Que verbas foram reunidas para custear as actividades?
ACH Houve um pedido de financiamento à Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) para que fossem realizadas algumas iniciativas. A nossa maior preocupação é o cumprimento atempado das promessas de financiamento da CNCCR, muito lenta na disponibilização de fundos. Não está em causa a vontade de ninguém, mas os processos burocráticos são uma dificuldade que não deve ser subestimada.
DC Que papel desempenha nas comemorações?
ACH Sou apenas um elemento de ligação e coordenação entre pólos, não tenho meios nem técnicos nem logísticos para mais. O que vier a realizar-se em Coimbra depende exclusivamente da vontade e dos meios da UC e da CMC, através da vereação da Cultura. Sou conselheiro científico da exposição, juntamente com Alexandre Ramires, que pertence à Comissão Executiva.
DC Integra também a Comissão Cívica para as comemorações. O que já foi feito neste âmbito?
ACH As actividades da Comissão Cívica para as Comemorações do Centenário da República – que é a estrutura mais activa e empenhada até agora – são muito centradas no INATEL, e essa entidade já realizou coisas, como acções de formação com professores. É ela que promove, exclusivamente (com o apoio indispensável do TAGV), o início das comemorações do centenário em Coimbra e todo o trabalho de pontapé de saída pertence a estas três entidades. Para além disso, elaboraram-se dois programas, entre a UC e a autarquia, propostos à CNCCR, que prometeu financiar parcialmente alguns eventos, e estamos à espera que essas tranches financeiras sejam transferidas.
DC A formação está a ser direccionada particularmente para professores. Justifica-se intervir aqui?
ACH Se houvesse mais tempo não estaríamos parados. Há tamanha necessidade de formação e apetite de saber o que foi a implantação da República, os valores, o que foi o 5 de Outubro, quem são os grandes vultos, que gerações apanhou... Há curiosidade pública, a formação está lotada e há um espantoso fenómeno, vêm mais pessoas de fora, de sítios surpreendentemente distantes, que de Coimbra. Mas na comissão cívica temos estratégia para chegar à juventude e para tentar dar resposta efectiva a todas as escolas que nos contactem, que peçam intervenções, mesas redondas. E aqui, devo referir a autarquia de Miranda do Corvo, muito empenhada e onde já estão previstas várias iniciativas e também os contactos esboçados com a Lousã para que lá estejamos. Mas à escala individual também somos instados a ir a vários locais.
DC Como docente, nota que isso se reflecte preparação dos alunos sobre este tema?
ACH A temática histórica tem vindo a ser subalternizada. A tutela não tem sabido valorizar a memória histórica. Temo estarmos a criar gerações de jovens apaticamente apátridas. Somos europeus, mas nunca ouvimos dizer: somos portugueses. Podemos estar a criar um país sem alma, e um país sem alma é um país sem pátria. Era preciso que valorizassem mais esta componente histórica, se queremos saber o que foi Portugal e esta imensa caminhada que começou no século XII e ainda hoje existe e se projecta no futuro. Um enfoque na História, mas também na Filosofia, porque a relação de temática da portugalidade é fundamental para nos identificarmos. Corre-se o risco de não sabermos como o país se criou, perdendo-se a nossa coluna vertebral.
DC Apesar da CNCCR, existem vários movimentos cívicos para a assinalar a implantação da República. Isso mostra, de alguma forma, que apesar de enraizada na sociedade, os portugueses sentem necessidade de se expressar republicanos?
ACH Estou convencido que, independentemente da Comissão Nacional e da vontade das autarquias, o carinho da população portuguesa é tamanho que, mesmo sem ambas, a República seria comemorada. Trata-se de um património público e colectivo, que não pertence a nenhum partido. Por exemplo, nenhum democrata nega o sufrágio universal, que o Estado é ateu, que o ensino público deve ser laico, a ideia de cidadania, porque não havia dignidade de cidadania antes. Foi um ideal que se impôs.
DC A implantação da República associa-se apenas ao dia 5 de Outubro. Mas foi muito mais do que isso, e estendeu-se para além de Lisboa...
ACH É necessário explicar que a expressão republicana começou no século XIX. Nas Conferências Democráticas do Casino Lisbonense já se falou em Republica. A partir desse momento, a geração entre 60 e 70, foi quem fez a pedagogia da republica - voltada para a difusão do ideal republicano através de jornais e brochuras. Nomes como José Elias Garcia, Latino Coelho, José Falcão, que foi o autor da cartilha do ensino público, que se aperceberam da ignorância pública, porque 80 a 85 por cento da população não sabia ler, escrever e contar. Foi esta geração que tentou ensinar o povo, através da leitura “comezinha”, o que eram os fundamentos da República. Em 1890, quando se dá o Ultimatum Inglês, surge uma nova geração, mais activa. António José de Almeida, de Penacova, Afonso Costa, entenderam que já não era tempo de pedagogia, mas de acção. Foi o espírito dessa gente que promoveu a primeira revolução armada, em 1891, que fracassou. Mais tarde, em 1907, o movimento organizou-se no interior da ditadura de João Franco e colaboraram três agremiações essenciais: o Partido Republicano, a Maçonaria, através da Loja do Grande Oriente Lusitano, e a Carbonária, essa absolutamente secreta, e que era o braço armado da população. A história da República recua muito antes da data do golpe que a implantou. Foi algo muito bem preparado e que mobilizou camadas mais desprotegidas da sociedade, como os trabalhadores por conta de outrem, funcionários públicos, profissionais liberais. Foi uma aliança entre as camadas populares e a pequena burguesia liberal, transversal a personalidades que podem vir de horizontes distintos, mas que partilham valores centrais.
DC O acesso ao ensino público e gratuito, à saúde, estão na génese do movimento republicano. Hoje porém, assistimos à privatização destes bens. Estes valores podem estar em risco?
ACH Podem perder-se a partir do momento em que estiver em causa a privatização do país. A República é a defesa da causa pública. É uma casa comum de porta aberta onde possamos entrar todos. O que assusta é a imensa vertigem da privatização por partir-se do pressuposto de que o que é público é incompetente. Hoje inocula-se a ideia de que o funcionário público é menor, a nível intelectual e monetário. Mas é o nosso contributo colectivo para o que é da res publica, por isso nada mais patriótico do que aquilo que damos à causa pública, e que deve ser dignificado. A República é competente e eficaz.
“Coimbra não passou ao lado do ideal republicano”
DC De que forma participou a cidade de Coimbra no movimento republicano?
ACH Coimbra participou em momentos muito importantes e através de figuras de enorme prestígio e irradiação pública. Por exemplo, José Falcão, uma figura determinante para a cidade e para o ideal, que merecia uma estátua na Praça da Republica, ou António José de Almeida, professor que tinha combinado com os estudantes para aderirem em caso de triunfo no Porto. Belizário Pimenta, que em Coimbra representou o expoente da causa republicana, e António Augusto Gonçalves, ligado ao ensino da arte e que fundou a Escola Pública das Artes e do Desenho. Coimbra não passou ao lado do ideal republicano.
DC Sendo uma cidade de estudantes, a quem se associa a irreverência da juventude, isso também se verificou na Academia de Coimbra?
ACH De facto, Coimbra distinguiu-se sempre no plano do campo discente, a Academia dos estudantes a pôr em causa prolongou-se pelo Estado Novo, foram eles que fizeram tremer o regime em 69. Ligaram intimamente à causa e quem deu a cara correu riscos, foi espancado. Claro que as coisas mudaram e hoje temos um corpo professoral diferente, os professores já não respondem a uma só voz, mas na UC, até 1974, foi um corpo docente com voz tradicional.
DC Esse questionamento e irreverência mantém-se nos estudantes de hoje?
ACH Creio que há, da parte de muitos alunos, o sentimento vivo democrático, sentem e vivem o seu valor, mas as preocupações são extra-políticas. Também a diversidade de informação, a facilidade de sair, correr mundo, contactar com outros povos, faz com que prioridade socio-política não tenha tanta acuidade. Se os agentes de ensino não cumprirem o seu dever, de inspirar o sentido crítico, a reflexão, a problematização, poderá estar em risco, mas a juventude é um
estado de espírito generoso.
Hino e Busto têm a força da tradição histórica
DC O Partido Popular Monárquico propôs a realização de um referendo nacional sobre a reimplantação da monarquia. Que comentário lhe merece?
ACH Estou profundamente de acordo com a proposta. Seria tão imensamente demonstrativo do carinho do povo português pela República, que encerrava definitivamente o assunto. Mas era para referendar uma vez e ficar decidido, e não até conseguir mudar o sentido de voto. É claro que eu estaria na barricada da defesa do republicanismo. Mas faça-se o referendo e veja-se o que o povo quer.
DC Nos últimos dias, levantou-se também a hipótese de alterar o busto da República. Concorda?
ACH Não vejo qualquer vantagem nisso. Apesar de argumentarem que o busto tem o barrete frígio, que não é claramente deduzido da tradição portuguesa, os patriotas franceses adoptaram-no como fidelidade aos princípios democráticos aindano século XVIII. Não concordo que seja privado desta referência republicana.
DC E quanto à possibilidade de termos um novo hino nacional?
ACH Tudo o que é simbólico tem uma força própria, como a bandeira, até na forma de a hastear, e nas cores, que foram usadas momentos simbólicos. Pode dizer-se que é uma linguagem datada, porque surgiu como reacção ao Ultimatum Inglês. A humilhação, o incómodo e a cólera sentidas perante essa nota diplomática, fez com que A Portuguesa tivesse uma linguagem bélica. Mas isso dá-lhe também a força da tradição histórica. Também não vejo vantagem em actualizar a linguagem ou a mensagem, porque também seria desvinculá-la do que representa.
O que houver em Coimbra depende da Câmara e da UC
O pontapé de saída das celebrações do centenário da implantação da República é já no próximo domingo, dia 31, com um almoço de confraternização. A data marca a primeira tentativa de derrubar a monarquia, em 1981, no Porto e não foi esquecida pela organização, a cargo do Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, a associação cultural Alternativa e a Associação 25 de Abril. Ao almoço, segue-se um espectáculo com o grupo Dixie Gringos, na Praça da República e, a partir das 17h00, decorre um sarau no Teatro Académico de Gil Vicente.
Mais tarde, em Março, a Semana Cultural da Universidade de Coimbra (UC) vai ser dedicada à República e o instituto CEIS20, da UC, deverá promover um colóquio internacional sobre o tema. Outras iniciativas, explica Amadeu Carvalho Homem, «dependem dos meios e da vontade quer da Câmara Municipal de Coimbra quer da UC».
Uma exposição a funcionar em vários pólos, simultaneamente conjunta entre ambas, é uma das possibilidades que aguarda confirmação, bem como a vontade de digitalizar vários textos do acervo da Biblioteca Geral da UC «fundamentais para compreender o movimento democrático em Portugal».
A 5 de Outubro, a Orquestra Clássica do Centro realiza um concerto gratuito, e «há ainda o compromisso do Teatrão levar à cena alguns espectáculos sobre a república», acrescenta Carvalho Homem. O responsável sugere ainda «um grande arraial republicano no Parque Verde». «Acredito que possa ser um evento de grande participação, onde possam haver sketchs teatrais, barraquinhas, tasquinhas para conviver, onde possa ser sentido o ideal fraterno da República». No entanto, apesar dos vários planos, Carvalho Homem avisa, «tudo isto são perspectivas que só se concretizam se meios forem disponibilizados a tempo e horas».
CASA MUNICIPAL DA CULTURA - ASSINATURA DO CONTRATO DE FINANCIAMENTO
Foi celebrado o Contrato de Financiamento entre a Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte (CIMPIN), na pessoa do senhor Presidente João Manuel Gomes Marques, Presidente da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Regional do Centro e o Município de Góis, na pessoa da senhora Presidente, Maria de Lurdes Oliveira Castanheira.
O Município de Góis e a Associação Educativa e Recreativa de Góis, pretendem promover actividades diversificadas, quer na área dos espectáculos culturais (teatro, bailado, concertos, musicais, entre outros), quer na dinâmica empresarial ou a partir das escolas, com seminários, congressos, conferências, exposições ou simples reuniões, bem como manter as valências que já existem e que servem os associados, nomeadamente, a própria associação, o futebol, a filarmónica e a escola de música, e permitem que outras pequenas associações possam funcionar neste edifício, em gabinetes individuais criados para o efeito, devendo este Equipamento ser um edifício vivo que reúna todas as condições propicias ao seu bom funcionamento.
A Casa da Cultura de Góis terá para Auditório, com capacidade para 301 espectadores, que permite utilizações diversas como teatro, cinema, espectáculos musicais, sala de ensaios da filarmónica, três salas para escola de música, quatro salas de formação, podendo ser também usadas como salas de reunião, quatro gabinetes para as associações e um gabinete para a direcção/administração do edifício, duas salas polivalente, podendo ser usada, entre outros usos, como sala de exposições e um bar.
Atendendo ao facto do actual equipamento da Associação Educativa e Recreativa de Góis carecer de uma intervenção profunda para que a Casa da Cultura de Góis possa vir a ser uma realidade, a Câmara Municipal de Góis apresentou uma candidatura ao programa Centro-03-CO56-FEDER-003002, através da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte (CIMPIN) tendo esta por objecto a concessão de um apoio financeiro à construção da Casa da Cultura de Góis, a qual tendo sido aprovada, foi financiada no montante global de 1.722,000,00€ (um milhão, setecentos e vinte e dois mil euros).
Neste sentido, no passado dia 23 de Dezembro de 2009 foi celebrado o Contrato de Financiamento entre a Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte (CIMPIN), na pessoa do senhor Presidente João Manuel Gomes Marques, Presidente da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Regional do Centro e o Município de Góis, na pessoa da senhora Presidente, Maria de Lurdes Oliveira Castanheira.
in CMG
Vila de Góis vai receber o Corta Mato Distrital do Desporto Escolar
A vila de Góis irá, no próximo dia 12 de Fevereiro, acolher mais uma edição do Corta Mato Distrital do Desporto Escolar. Sendo esta vila um local privilegiado para a organização e realização de uma prova desportiva com as características do Corta Mato Distrital, uma vez que esta se enquadra nas infra-estruturas existentes para o efeito, no próximo dia 12 de Fevereiro irá acolher mais uma edição do Corta Mato Distrital do Desporto Escolar, no qual participarão quase todos os alunos de cada estabelecimento de ensino do distrito de Coimbra, definindo esta prova desportiva os representantes para o Corta-Mato Nacional.
in RCA, edição electrónica
Funeral é hoje às 15h00 - Góis despede-se de José Girão Vitorino
Antigo autarca de Góis morreu ontem
ao princípio da manhã, no Instituto de
Oncologia, em Coimbra. Corpo está em
câmara ardente no Quartel dos Bombeiros
Góis perdeu um homem bom. José Girão Vitorino, ex-presidente da Câmara Municipal, sucumbiu ontem, depois de uma longa e sofredora luta contra a doença. Pouco passava das 6h00 da manhã quando o antigo autarca se despediu da vida. O corpo vai ser velado no quartel dos Bombeiros Voluntários e o funeral realiza-se hoje, às 15h00, com missa de corpo presente na igreja matriz de Góis, seguindo para o cemitério local. A Câmara da qual foi presidente durante nove anos e vereador desde 1977, decretou dois dias de luto. Hoje os serviços camarários estão encerrados a partir das 12h00. Góis despede-se, entre lágrimas e muita emoção, de um homem que, não sendo natural do concelho, cedo se apaixonou por Góis e se dedicou de alma e coração àquela terra e às suas gentes.
Há dois anos o antigo funcionário da EDP, empresa ao serviço da qual se radicou em Góis, começou a ter problemas de saúde e foi-lhe detectado um carcinoma pulmonar. Uma intervenção cirúrgica debelou parte da doença, mas, no último ano os problemas centraram-se na coluna, com a doença a ganhar terreno face à ânsia de viver de José Girão Vitorino. Foi essa mesma doença que o levou a não se recandidatar à Câmara de Góis e que lhe exigiu um esforço sobre-humano para terminar o mandado. Diz quem o acompanhou de perto que a violência das dores tornou assaz dolorosa a vida do antigo autarca, que se submeteu a tratamentos de radioterapia e quimioterapia e nos últimos meses se viu obrigado a andar de cadeira de rodas. Nas últimas três semanas o seu estado de saúde agravou-se substancialmente, tendo sido internado no Instituto Português de Oncologia, em Coimbra, onde morreu, ontem ao princípio da manha.
Apesar de a sua morte ser previsível, a notícia não aliviou o choque. Lurdes Castanheira, presidente da Câmara de Góis fala com emoção do amigo e do autarca, considerando que a morte de Girão Vitorino constitui «uma perda muito grande para o concelho de Góis e para o Partido Socialista». A presidente da autarquia recorda a amizade e companheirismo que a ligava ao antigo presidente da autarquia, a quem sucedeu, recordando que «fiz equipa com ele em momentos particularmente difíceis na vida de Góis» e lembra o início do seu trabalho profissional, na Câmara, em 1989. «Acolheu-me muito bem como funcionária», diz. Mais tarde, Lurdes Castanheira integrou o executivo municipal e, quer em termos pessoais, quer profissionais, quer políticos, considera Girão Vitorino «uma referência incondicional». «Aprendi muito com ele em termos de solidariedade e de fazer bem aos outros. Era uma pessoa de uma sensibilidade imensa e de uma grandeza a toda a prova. Deixa uma marca profunda no concelho de Góis», diz ainda, emocionada, a presidente da autarquia, sublinhando «o empenho, a dedicação e o trabalho» que Girão Vitorino sempre colocou «na luta pela defesa dos interesses da causa pública, de Góis e dos goienses». Por isso, pelos muitos anos que o antigo autarca dedicou ao concelho, Lurdes Castanheira considera que «este é um momento difícil para a família, mas também para Góis. Certamente parte com o sentimento de missão cumprida, porque fez muito pelo concelho», sublinha a presidente da autarquia, que decretou dois dias de luto.
Um homem com H
«Era um homem com H grande», afirma José Cabeças, presidente da direcção da ADIBER, antigo presidente da autarquia de Góis, a quem Girão Vitorino sucedeu. «Ajudou muito a nossa vila, apesar de não ser de cá», diz Humberto Matos, antigo vereador da autarquia, que o define como «uma pessoa boa, muito bem formada e um grande amigo». «Não sendo goiense, fez muito por Góis e vai fazer muita falta», refere Fernando Ribeiro, um amigo de longa data.
«Era um grande amigo, um autarca com mais de 30 anos de experiência », afirma, com emoção José Carvalho, presidente da Assembleia Municipal de Góis. Foi na pensão do sogro de José Carvalho que Girão Vitorino ficou alojado quando, ao serviço da EDP foi trabalhar para Góis. E ali nasceu uma amizade longa e duradoura. Ontem, a caminho do velório, José Carvalho temia pela sua própria reacção. «Não era preciso sofrer tanto para ter este triste fim», desabafa, perante a perda de «um amigo de referência».
José Serra, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Góis, colega de Girão Vitorino na EDP, recorda o trabalho que, juntos, fizeram, em prol da electrificação da região, bem como, anos mais tarde, no executivo camarário. Uma amizade e uma relação que começou há 33 anos e que se manteve «leal e sincera» até ao último dia.
Perfil
José Girão Vitorino fez 62 anos no dia 1 de Novembro do ano passado. Natural de Santo Varão, concelho de Montemor-o-Velho, começou a trabalhar na EDP em Fevereiro de 1966 e foi ao serviço deste empresa que se radicou em Góis. Iniciou a sua carreira como autarca em 1977, como vereador da Câmara de Góis. Em 1983 assumiu funções em regime de permanência, tendo a seu cargo o pelouro das Obras e Urbanização e a vice-presidência da autarquia. Em Março de 2000 substituiu José Cabeças (nomeado para a presidência da ARSC) na presidência da autarquia de Góis. Venceu as suas primeiras eleições autárquicas, como cabeça-de-lista, em 2001 e em 2005 foi reeleito presidente da Câmara de Góis, sempre sob a bandeira do PS. A doença impediu-se de se candidatar nas últimas autárquicas de Outubro.
Casado com Maria Elisa Guerra Santos e pai de dois filhos, Renato e Bruno Vitorino, José Girão Vitorino esteve vincadamente ligado à vida associativa do concelho que adoptou como sua terra de eleição. Entre outros cargos, foi presidente da direcção da Casa do Povo, integrou a direcção da Associação Educativa e Recreativa de Góis, foi vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários
in Diário de Coimbra, 29/01/2010
Funeral realizou-se ontem
O adeus de Góis ao amigo Girão. Das figuras públicas ao mais simples munícipe, foram largas centenas de pessoas que se despediram do ex-presidente, que todos viam como homem bom.
Os populares não se cansam de elogiar o homem que, dizem, estava sempre disponível para ajudar. Entre aquele que foi até há alguns meses o presidente da Câmara de Góis, Girão Vitorino, e aqueles com quem se cruzava diariamente na rua, não havia diferenças. Era sobretudo «um amigo», disse ontem um dos muitos munícipes presentes no último adeus ao ex-presidente da Câmara de Góis. A doença – um cancinoma pulmonar detectado há dois anos – foi mais forte e Girão Vitorino não resistiu. Faleceu quinta-feira e ontem foi a enterrar, no cemitério de Góis, depois de uma missa de corpo presente na igreja matriz à qual assistiram largas centenas de pessoas.
Da personalidade do homem que foi presidente da Câmara de Góis, o seu povo, aquele a quem serviu durante nove anos, destaca a humildade e simpatia. «Era uma pessoa exemplar», comentava Fernando Barata, no decorrer do funeral do seu antigo presidente, lembrando o tempo em que conheceu Girão Vitorino, na altura em que este começou a trabalhar em Góis por conta da EDP. Conceição Custódio, também habitante de Góis, vai mais longe e afirma mesmo que «toda a gente gostava dele, mesmo quem não era da sua cor política».
De facto, diferenças políticas foi o que não se notou existir no funeral do ex-presidente. De uma ponta à outra do distrito, praticamente todos os autarcas fizeram questão de marcar presença no último adeus ao antigo colega. Porque, na verdade, Girão Vitorino foi isso mesmo: um companheiro de profissão. De Oliveira do Hospital a Tábua, passando por Soure, Penacova, Miranda do Corvo, Lousã, Penela ou Pampilhosa da Serra, entre muitos outros presidentes de Câmara, todos estiveram lá, nas cerimónias fúnebres, assim como o governador civil, o presidente da Federação Distrital do PS e muitos outros responsáveis a nível distrital.
O secretário de Estado Paulo Campos representou o Governo, mas acabaria por estar em dupla condição. «Venho também como homem da região, que está reconhecido pelo trabalho feito pelo Girão. Toda a sua vida foi um lutador e nesta região os lutadores são precisos», afirmou Paulo Campos, prestando a «homenagem» e «reconhecimento» ao antigo presidente da Câmara de Góis.
Lutou por Góis,
lutou contra a doença
A simpatia que todos apontam a Girão Vitorino estende-se a Espanha. O alcaide de Oroso, vila geminada com Góis, deslocou-se de propósito para o adeus àquele que diz ter sido «um amigo». O relacionamento com Girão Vitorino começou com o processo de geminação, mas foi muito além disso. «Era mesmo amizade», recordou Manuel Miras Franquilha, afirmando mesmo que desde o momento que o conheceu o achou uma pessoa «muito humana» e «amigo dos seus amigos».
Girão Vitorino iniciou a sua vida autárquica em 1977, como vereador e acabaria por assumir a presidência da Câmara de Góis em 2000, com a saída de José Cabeças para a ARS. Manteve esse cargo até 2009, e foi mesmo com alguma dificuldade que o terminou, devido à doença. Diz quem com ele privou mais de perto nesta fase mais difícil da sua vida que ele foi um lutador. Victor Baptista foi um deles. Falando no homem «simples, de trato fácil, mas inteligente e estratega», o presidente da Federação Distrital do PS reconheceu também que «estava em profundo sofrimento». «A natureza roubou cedo Girão Vitorino», lamentou Victor Baptista, recordando o dia de segunda-feira passada, em que esteve com ele no hospital e ele «ainda estava consciente» e com vontade de «regressar por um dia a Góis». «O concelho perdeu um grande homem, o PS perdeu um dos grandes no distrito e eu perdi um amigo», disse, com emoção, o presidente da distrital.
Lurdes Castanheira, que acabaria por encabeçar uma candidatura socialista em virtude da doença de Girão Vitorino, recorda os longos anos de amizade entre os dois e tudo aquilo que aprendeu com o antigo autarca. «Foi a pessoa que mais me ajudou a avançar com uma candidatura», reconheceu, considerando ser «um privilégio suceder a um autarca como Girão Vitorino». Qualidades? «A extrema humildade, carinho, dedicação, sentido de filantropia e grande disponibilidade para ajudar», sintetizou a autarca.
«Foi sempre um lutador convicto, nunca baixou os braços e foi um autarca exemplar», reconheceu, por sua vez, o governador civil, Henrique Fernandes.
Vozes
Estava sempre disponível. Alguma coisa que nós pedíssemos ele ajudava no que fosse preciso. O Sr. Girão Vitorino lidava bem com toda a gente.”
Fátima Neves
Habitante de Góis
Góis perdeu um grande defensor das causas do concelho que, não sendo seu natural era seu de adopção. Eu perco um grande amigo.”
Helena Moniz
Vereadora no último mandado de Girão Vitorino
Girão Vitorino era uma pessoa muito humana e amigo dos seus amigos. Desde o momento em que o conheci que me brindou com a sua amizade.”
Manuel Miras Franquilha
Presidente da Câmara de Oroso, Galiza, Espanha
Conheci-o no ano de 81, quando vim para Góis trabalhar. Foi uma pessoa com quem tive a oportunidade e o grato privilégio de conviver e aprender.”
Lurdes Castanheira
Presidente da Câmara de Góis
in Diário de Coimbra, 30/01/2010
Faleceu o antigo presidente da Câmara Municipal de Góis
Faleceu hoje em Coimbra o antigo presidente da Câmara Municipal de Góis, José Girão Vitorino, com 62 anos de idade, vítima de doença prolongada. José Girão Vitorino, foi Presidente da Câmara Municipal de Góis no período 2001-2009. Nasceu a 1 de Novembro de 1947, em Formoselha, Montemor-O-Novo, e era Filho de Joaquim Carlos Vitorino e de Cristina Pereira Girão.
Casado com Maria Elisa Guerra Santos, natural de Vila Nova do Foz Côa, exerceu a sua actividade profissional na Companhia Eléctrica da Beiras / EDP, em Lousã, Ourém e Góis.
Foi também presidente da Direcção da Casa do Povo de Góis, tendo participado em elencos directivos da Associação Educativa e Recreativa de Góis, Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Góis e Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis. Para além disso foi eleito vereador em vários mandatos da Câmara Municipal de Góis, alguns deles em permanência.
O seu corpo repousa em câmara ardente no quartel dos Bombeiros Voluntários de Góis, e o seu funeral realiza-se amanhã, sexta-feira [29, de Janeiro], pelas 15h, para o cemitério de Góis. A equipa do RCA aproveita para apresentar as suas sentidas condolências à família enlutada.
in RCA edição electrónica
Comitiva de Oroso visitou Góis
Uma delegação de Oroso, da província da Corunha, na vizinha Espanha, presidida pelo alcaide D. Manuel Miras Franqueira, visitou Góis, na passada sexta-feira. Uma prresença que se integra no âmbito de geminação dos dois municípios.
A comitiva daquela região da Galiza foi recebida pela presidente da autarquia, Lurdes Castanheira, e membros do executivo, bem como pelo presidente da Assembleia Municipal, Pereira de Carvalho, e pelo presidente da freguesia de Góis, Jorge Reis.
Uma visita que, no entender da autarquia de Góis, perspectiva "um plano conjunto de trabalhos, que deverá envolver a OrosoArtes", iniciativa semelhante ao GoisArte, bem como outras iniciativas "que contribuirão para o desenvolvimento conjunto das áreas de maior relevância para ambos os concelhos". Por outro lado, "reaviva-se a geminação entre as duas localidades", que estão empenhadas em reforçar os seus laços estabelecendo parcerias e desenvolvendo intercâmbios em diversos sectores, "com destaque para a cultura, turismo, educação, acção social e economia".
A comitiva fez ainda questão de visitar o ex-presidente da autarquia, Girão Vitorino, que se encontra doente, com objectivo de "agradecer todo o apoio e disponibilidade " no processo de geminação entra as duas localidades, bem como às acções que têm sido desenvolvidas. in Diário de Coimbra 28/01/2010
in http://malhadaecasais.blogspot.com/
Orçamento de Estado de 2010 "tira" 60 milhões ao distrito de Coimbra
Valor total de PIDDAC para este ano é menos de metade do que foi apresentado no Orçamento de Estado anterior
João Luis Campos
Menos de metade. Menos 60 milhões de euros. O PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) regionalizado ontem apresentado à Assembleia da República destina ao distrito de Coimbra um total de 457 milhões de euros, quando no ano anterior esse valor era de 105 milhões de euros. Uma redução que vai de encontro ao discurso o ministro das Finanças ontem numa conferência de imprensa que terminou durante a madrugada, para quem a descida do défice terá de ser feita com um corte na despesa pública.
Quando, concelho a concelho, comparamos os mapas ontem divulgados com os referentes aos do ano anterior, vemos que Coimbra tem uma redução de 26 milhões de euros, Figueira da Foz 11 milhões de euros, Cantanhede 250 mil euros e Oliveira do Hospital de 40 mil euros. Ou seja, as quatro cidades do distrito perdem todas verbas.
Também na rubrica referente a investimentos em vários concelhos, regista-se uma redução de cerca de 25 milhões de euros. Subidas, registam-se na Lousã, Miranda do Corvo e Penacova.
À hora que o documento foi disponibilizado (por volta das 23h309, não foi possível obter reacções ou explicações para esta redução tão acentuada. A passagem de algumas rubricas para outras partes do Orçamento de Estado podem ajudar a explicar este corte que terá sido efectuado, aparentemente, em todas as regiões do país. Em termos globais, o PIDDAC de 2009 representava um total de 4.000 milhões e o de 2010 ronda os 2,8 mil milhões. Todavia, não deixa de ser significativa uma redução de 60 milhões de euros e percentualmente a quebra do distrito é superior à do país.
Défice "recordista"
Após vários atrasos, durante o dia de ontem, o ministro das Finanças entregou a proposta de Orçamento de Estado por voltas das 20h20 (inicialmente tinha sido agendado para as 18 horas) e a conferência de imprensa em que o apresentou publicamente começou bem depois das 23 horas. A reter, a estimativa que o défice orçamental em 2009 terá ficado num valor recorde de 9,3 por cento e que projecta um défice de 8,3 por cento para este ano. Os numeres estimados pelo Governo e anunciados por Teixeira dos Santos, apontam para um défice de 15.366,2 milhões de euros no ano passado (93 por cento) e projecta ainda que os Estado deverá contrair um défice na ordem dos 13.954,4 milhões de euros este ano (83por cento). Ora em plena campanha eleitoral o PS falava nu défice de 8 %. Já em termos de taxa de desemprego o Governo estima que esta, em 2009, se tenha fixado em 9,5 por cento projectando para 2010 uma subida para 9,8 por cento.
in Diário de Coimbra, 28/01/2010
PROGRIDE entregou instrumento musical à Filarmónica de Góis
O Projecto “Progredir em Igualdade e Cidadania” [do Programa PROGRIDE], cuja Entidade Executora é a Santa Casa da Misericórdia de Góis e a Entidade Promotora a Câmara Municipal de Góis, promoveu, no dia 8 de Janeiro do corrente ano, uma Cerimónia de Entrega de um instrumento musical à Banda Filarmónica da Associação Educativa e Recreativa de Góis [AERG].
A Cerimónia de Entrega decorreu no salão da Associação Educativa e Recreativa de Góis e contou com a presença da Dra. Maria de Lurdes Castanheira, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Góis, do Sr. José Serra, Vice – Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Góis, do Sr. Rui Sampaio, enquanto Presidente da Direcção da AERG, do Sr. Paulo Monteiro, Maestro da Banda Filarmónica, bem como com a Equipa Técnica do Projecto e demais individualidades das respectivas Entidades.
O instrumento musical entregue foi um Saxofone alto, da marca Yamaha, que vai certamente enriquecer a panóplia de instrumentos já existentes na Banda Filarmónica da AERG.
Esta aquisição foi possível graças à prorrogação, por mais 12 meses, do Projecto “Progredir em Igualdade e Cidadania” que criou a oportunidade de ampliar não só a sua duração, mas também as acções e o financiamento.
O Presidente da Direcção da AERG manifestou enorme regozijo ao afirmar que, contrariamente ao que acontece com outras Bandas do País, a Banda Filarmónica de Góis tem vindo sempre a usufruir de apoios das Entidades Locais, em particular da Junta de Freguesia de Góis e Câmara Municipal de Góis.
Pretende-se, com a entrega do Saxofone, contribuir para a formação musical, motivar o público infanto-juvenil para a sensibilidade sonora, porquanto as Bandas Filarmónicas continuam a cumprir um papel valiosíssimo ao nível da promoção cultural, sendo consideradas, por muitos, um baluarte da cultura portuguesa.
in RCA, edição electrónica
Celebração tradicional do Entrudo nas Aldeias do Xisto de Góis
Serra da Lousã (16 Fevereiro 2010)
Descrição: Celebração do Entrudo de forma tradicional nas Aldeias do Xisto de Góis em plena Serra da Lousã. Nestas aldeias o Entrudo vivia-se de forma simples. Procurava-se roupa e objectos velhos, algo que ocultasse o rosto e de seguida brincava-se… No Entrudo eram realizadas "corridas" às aldeias vizinhas, onde tudo era permitido: declamar quadras jocosas sobre os habitantes dessas aldeias, atormentar as velhas e seduzir asnovas!
Propomos que venha brincar connosco e motivar estas gentes para o convívio, enaltecendo as suas vivências. O percurso será feito nas seguintes aldeias do Concelho de Góis: Esporão, Póvoa de Cerdeira, Cerdeira, Ribeira Cimeira e Ponte de Sótão e nas Aldeias do Xisto de Comareira, Pena, Aigra Nova, Aigra Velha .
No final deste percurso haverá um almoço-convívio numa das aldeias (Aigra Nova) com todos os participantes e habitantes locais. No final da refeição será feito, à boa maneira beirã, um bailarico, com um bom barril de vinho à descrição.
Embora os participantes alvos sejam habitantes locais ou descendentes de habitantes locais, podem participar pessoas não residentes nestas aldeias, mas que tenham espírito de folia.
Este evento tem a particularidade de ser a 4ª edição e de ter um Concurso de Quadras Tradicionais e ainda de um Concurso de Máscaras de Cortiça.
Objectivo: convívio entre os habitantes e descendentes das aldeias serranas de Góis.
Programa:
9h00 – encontro na aldeia do Esporão: folia, corridas para assustar as velhas e as moças, declamação de quadras jocosas.
Saída para a corrida pela Aldeias, seguindo este itinerário: Esporão, Póvoa de Cerdeira, Cerdeira,Ribeira Cimeira, Pena, Aigra Velha, Ponte de Sótão,
Comareira e termina na Aigra Nova.
12h00– chegada a Aigra Nova onde acontecem os seguintes eventos:
- Atelier de construção de máscaras em cortiça
- Animação com concertinas
13h00 – Almoço na aldeia (gratuito para os “entrudos” e não para os “carnavais”)
14h30 – Início do Bailarico, até não aguentar mais…
Tarde – Bailarico, com intervalos das participações das quadras. Temos um poste com um presunto e um bacalhau no topo. Estarão abertas inscrições para as
equipas que queiram retirar o presunto e o bacalhau.
Meio de transporte: entre as aldeias as pessoas podem levar os seus carros para que no final possam regressar quando quiserem, mas iremos ter 1 ou 2 carrinhas de caixa aberta para os foliões entrarem nas aldeias em “corrida”/tipo invasão.
Ponto de encontro: às 9h00 na aldeia de Esporão (aldeia do concelho de Góis). Duração: todo o dia.
Material que os participantes devem trazer:
Roupa apropriada ao entrudo (e não Carnaval), artefactos que produzam sons estridentes, muito boa disposição e vinho. Salientamos que o entrudo aqui na serra consistia em roupas velhas e uma manga de camisa com orifícios como máscara. Não nos responsabilizamos pelas atitudes dos Entrudos quando se encontrarem com participantes sem traje ou com traje de Carnaval….
A participação é gratuita até ao nº de 100 pessoas ao nível do almoço, existindo prioridade aos habitantes locais, descendentes e aos participantes nas corridas.
Parceiros: Câmara Municipal de Góis, Associação de Melhoramentos das Aigras, Comareira e Cerejeira, Grupo de Concertinistas de Góis, Associação dos Escoteiros de Portugal – Grupo 74 – Góis.
Apoio:
Câmara Municipal de Góis
Organização:
Lousitânea – Liga dos Amigos da Serra da Lousã
Informações:
Lousitânea – Liga dos Amigos da Serra da Lousã
R. dos Bois, Aigra Nova
3330-222 GÓIS
TEL/FAX: 235778644 Telem: 966423677 /
969847852
lousitanea@sapo.pt
www.lousitanea.org
Câmara Municipal de Góis
Posto de Turismo
Tel: 235 770113 4
Notícias da Comissão de Melhoramentos de Malhada e Casais
O ano novo está no terreno e na CMMC só pensamos em reencontrar os nossos amigos.
Vão ser muitas as oportunidades para nos visitar ao longo de 2010. Tome nota dos eventos já programados:
" Assembleia-Geral a 27 de Fevereiro: debate regionalista e da actividade da CMMC, e eleição dos corpos gerentes para 2010
" Excursão à Malhada na Páscoa a 2, 3 e 4 de Abril
" Pic-Nic no Parque Florestal do Monsanto em Lisboa a 13 de Junho
" Festas de Verão na Malhada a 10, 11 e 12 de Agosto
" Comemoração do 57º Aniversário da CMMC a 28 de Novembro
Inscreva-nos na sua agenda e apareça. Estamos à sua espera!
Saudações Malhadenses!
in http://malhadaecasais.blogspot.com/
Cortes Carnaval - Tradição
A Casa de Cultura e Recreio Claudino Alves de Almeida e as ruas de Cortes vão ver desfilar as máscaras de Carnaval que se pretende venham a alegrar a quadra que vamos atravessar... Pretende-se que a Alegria "saudável" desça à rua...
Para isso alguns jovens residentes em Cortes, entre os 11 e os 17 anos, já começaram a preparar a jornada do dia 13 de Fevereiro próximo.
A Comissão de Melhoramentos está a proporcionar todos os meios possiveis para que se realize uma festa popular com algum cariz tradicional. Espera-se a colaboração de todos para trazerem alegria e os seus disfarçes...
Vamos "correr" com a crise...
Do programa provisório consta:
* 15h - Desfile de máscaras com prémio para a mais original
* 17h - Karaoke na sala de convivio
* 21h - Carnaval com muita musica e dança, no salão, pela noite dentro...
Vamos apoiar os jovens e ao mesmo tempo reviver as tradições com muito convivio e diversão à mistura.
João Reis Antão
in http://cmcortes.blogs.sapo.pt/
Cadafaz - O Bodo
Hoje dia 20, é dia do Mártir São Sebastião e dia de Bodo. O Bodo é uma festa popular e religiosa, da qual não se sabe quando é que começou, somente que é uma cerimónia de vários séculos e que tem passado de geração em geração, até aos nossos dias. Começou a ser feito devido a uma epidemia, em que muita gente morria. Os ancestrais prometeram que se a epidemia acaba-se fariam um Bodo em honra do Mártir São Sebastião todos os anos oferecendo, castanhas, pão e vinho
O Bodo, é uma festa muito importante para a freguesia, porque é feito com a ajuda de todas as povoações da freguesia. Todas as aldeias têm um mordomo, excepto no Cadafaz e Cabreira em que são dois. São nomeados no dia do Bodo para o ano seguinte, assim como o Juiz, que tem a responsabilidade de ver se tudo está a correr bem, de comprar o pão, o vinho e no dia do Bodo de orientar as coisas.
Os mordomos têm o dever de angariar as castanhas, o vinho ou dinheiro, antigamente era também o milho, em sua povoação. Depois são entregues aos mordomos do Cadafaz para fazerem secar as castanhas.
A preparação do Bodo começa com algum tempo de antecedência. Depois de recolher as castanhas, elas são colocadas num caniço com rede para secarem, por baixo é feito uma fogueira, de manhã e à noite, durante pelo menos 15 dias seguidos, de vez em quando mexe-se as castanhas para não ficarem queimadas e pretas. Quando as castanhas estão secas são colocadas num cesto e são pisadas com as botas. Depois da casca retirada são escolhidas.
Na véspera do dia do bodo são cozidas. Antigamente as castanhas eram cozidas em casas das pessoas que se ofereciam ou então os mordomos pediam se as podiam cozer. Eram distribuídas em quartas.
Na véspera, à noite, também chega o pão. Antigamente quando ele chegava atiravam foguetes.
O dia do Bodo era um dia de festa e de convívio para toda a freguesia, que se juntava no Cadafaz para receberem o Bodo. Juntavam-se também outras pessoas que não pertenciam á freguesia mas que vinham de outras localidades vizinhas.
Há mais de 50 anos atrás, as moças novas iam a pé ao Barreiro (Vila Nova do Ceira) comprar laranjas, para venderem nesse dia a 20 tostões cada, também era vendido café, em chávenas de chá a 1 escudo cada, á noite fazia-se um baile.
Desde 2002, o Cadafaz tem uma casa do bodo, onde é efectuado todo o ritual. Antigamente era feito em casa dos mordomos.
Hoje em dia, em virtude das localidades estarem praticamente desertas durante a semana, a festa do Bodo passou a ser feita no primeiro domingo a seguir ao dia 20, o que traz mais pessoas nesse dia.
Antes da celebração da missa, o Sr. Padre vai benzer o pão, as castanhas e o vinho. A seguir à missa, é feita a tradicional procissão com o Santo Mártir São Sebastião. Só depois é que é feito a entrega do Bodo, começando a ser entregue uma coisa de cada vez, pelos mordomos e por ajudantes, às pessoas que estão a assistir. As que não podem assistir é lhes entregue mais tarde, em casa delas.
No ano em que foi inaugurado a Casa do Bodo, o Juiz desse ano, que era o Casimiro Vicente, ofereceu, febras e sardinhas às pessoas presentes. Desde essa altura tem sido habitual o Juiz também tratar da merenda, o que faz haver mais um motivo de convívio para as pessoas da freguesia e não só.
Para este ano de 2010, o Bodo é entregue dia 24, o Juiz é o Senhor Armindo Neves. Os Mordomos para o Cadafaz são os Senhores Albertino Vicente e Luciano Domingos.
in http://cadafaz-gois.blogspot.com/
Góis - Casa da Cultura espera visto do Tribunal de Contas
É uma obra estruturante para o concelho de Góis e ambicionada há muito. Falamos da Casa Municipal da Cultura, cuja construção deverá arrancar em breve, estando unicamente dependente do visto do Tribunal de Contas. Uma diligência que o executivo liderado por Lurdes Castanheira entende necessária, dadas as verbas envolvidas e o esforço financeiro que a obra exige.
Em causa, de acordo com a presidente da Câmara de Góis, está um investimento na casa do milhão e setecentos mil euros (sem equipamento), que tem garantido financiamento do Programa Operacional Regional do Centro. A assinatura do contrato de financiamento foi efectuada no final do ano e representa o desfecho de uma candidatura do município, através da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte e constitui a «efectivação material de que o projecto vai ser financiado», sublinha a presidente da autarquia.
A Casa Municipal da Cultura «é uma obra estruturante para o concelho de Góis», sublinha Lurdes Castanheira, considerando que vem «colmatar um lacuna com mais de uma década», uma vez que «há mais de uma década que a Associação Educativa e Recreativa de Góis, a nossa banda, a escola de música e o futebol lutavam por instalações que estivessem à altura dos muitos jovens e menos jovens que servem». Lurdes Castanheira recorda que a Associação Educativa e Recreativa de Góis é a principal parceira deste projecto, uma vez que em causa estão as instalações, um velho edifício, onde há décadas funciona aquela colectividade e as diferentes valências que possui. Edifício que, de resto, vai ser demolido, para dar lugar a um novo espaço, concebido para dar resposta às necessidades actuais das colectividades e associações, mas também do concelho, uma vez que vai poder receber os mais diversos espectáculos, congresso ou seminários. Trata-se, sem dúvida, da futura “sala de visitas” de Góis, uma espaço que Lurdes Castanheira considera fundamental. «É uma obra estruturante para o concelho», enfatiza, adiantando que a sua construção, mais do que necessária, «só peca por tardia».
A presidente da Câmara de Góis “herdou” o projecto do anterior executivo e sempre se mostrou «solidária com ele», o que não significa que, e uma vez que passou bastante tempo, Lurdes Castanheira não sinta necessidade de acautelar algumas situações. Assim, e uma vez que o projecto de arquitectura foi aprovado há dois anos, «numa postura pró-activa e preventiva, pedimos um parecer externo a um arquitecto, no sentido de validar tudo o que foi feito e ver se está de acordo com os imperativos legais de uma obra pública», refere, admitindo que possa ter havido alterações às quais importa dar a resposta, evitando quaisquer desajustamentos.
Acompanhamento sistemático
Mas, para além da “actualização” do projecto da Casa Municipal da Cultura, Lurdes Castanheira quer também «que a obra tenha um acompanhamento sistemático», de forma a evitar o mais possível situações de «trabalhos a mais», por exemplo. Aliás, este acompanhamento e fiscalização da obra é um princípio de gestão que Lurdes Castanheira vai imprimir ao seu executivo, em nome do bom andamento da obra, mas também de uma boa aplicação das verbas. Recorda, a propósito, que para além do financiamento do Programa Mais Centro, a obra envolve também verbas da Câmara de Góis, que obrigaram a recorrer à contracção de um empréstimo junto da banca. «Temos uma responsabilidade acrescida na gestão dessas verbas», faz questão de referir.
Aliás, o «rigor» com que a autarca quer pautar o seu trabalho levou-a a avançar com a proposta de remeter o processo ao Tribunal de Contas, «tendo em conta os valores envolvidos». Uma proposta que, diz com visível satisfação, colheu a unanimidade do executivo.
Aliás, a empreitada está adjudicada (pelo executivo anterior) e a obra vai arrancar assim que o Tribunal der “luz verde”. «Penso que não vai haver qualquer problema», diz a autarca, que sublinha o investimento de um milhão e setecentos mil euros, referente apenas à construção da obra que, com equipamento, deverá rondar os dois milhões e meio de euros.
Câmara cumpridora exige cumprimento
A obra tem um prazo de execução de 15 meses e Lurdes Castanheira promete «atenção ao cumprimento dos prazos», uma vez que a «Câmara de Góis sempre foi muito cumpridora nos pagamentos e vai continuar a ser, mas se somos cumpridores para com os nossos prestadores de serviços, também vamos ser exigentes com aqueles com quem contratualizamos», remata.
in Diário de Coimbra, 19/01/2009
Um novo estádio a caminho de Góis
Se a Casa da Cultura é uma batalha praticamente ganha, Lurdes Castanheira junta-lhe outra, mais recente mas não menos complexa. Trata-se do novo campo relvado sintético de Góis, cuja candidatura foi finalmente aprovada. "É uma excelente notícia", reconhece a autarca, que no passado 14 teve a informação, da parte da Secretaria de Estado do Desporto, depois de um sem número de diligências, que o novo campo está aprovado.
Trata-se, também, de uma candidatura do anterior executivo camarário, que chegou a provocar a indignação geral de Girão Vitorino, uma vez que viu todas as candidaturas aprovadas e os relvados sintético a "crescerem" em toda a região, à excepção de Góis. Parte dos atrasos justificam-se, uma vez que o município reestruturou a sua candidatura e, para além do relvado sintético avançou com um projecto mais envolvente, que envolve também o campo relvado, a remodelação dos balneários e a construção de uma bancada.
"É um projecto com outra abrangência", sublinha Lurdes Castanheira, que, com entusiasmo, diz que "vamos ter um autêntico estádio em Góis".
O projecto agora aprovado no âmbito do Programa Operacional de Valorização do Território, implica um investimento de 998 mil euros, comparticipado a 70 por cento, sendo o restante garantido pelo município.
Lurdes Castanheira quer aplicar ao "estádio" o mesmo princípio de rigor da Casa da Cultura e, por isso, garantiu-nos que vai, na próxima reunião do executiva, a realizar no dia 26, propor o mesmo tipo de diligência, ou seja, remeter o processo ao Tribunal de Contas.
7 maravilhas naturais - Penedos de Góis e Vale do Ceira entre os nomeados
O Vale do Ceira e os Penedos de Góis foram os monumentos naturais escolhidos pelo município para uma candidatura às “7 Maravilhas Naturais de Portugal”. Uma escolha feita em boa hora, uma vez que estes dois ex-libris “passaram” a primeira fase de candidatura.
Satisfeita com esta “aceitação”, a presidente da Câmara de Góis sublinha o objectivo primordial da candidatura, ou seja, «promover o concelho de Góis e as suas potencialidades naturais». Lurdes Castanheira refere a grande riqueza, em termos naturais do concelho, «bafejado pela mãe-natureza», mas destaca em especial o Vale do Ceira e os Penedos de Góis. «Tivemos de fazer uma escolha e recaiu sobre estas duas “maravilhas”», adianta.
Sem esconder o seu «orgulho por termos passado a primeira fase», particularmente tendo em linha de conta «que concorremos com mais de 300 candidaturas de todo o território nacional», Lurdes Castanheira afirma a sua vontade de continuar na “corrida” e de, no próximo mês de Fevereiro, passar a integrar os 77 candidatos seleccionados. Todavia, reconhece que o desafio é enorme, «mas não impossível», uma vez que «já passámos pelo primeiro crivo».
Lurdes Castanheira faz questão, de resto, de sublinhar o envolvimento que esta candidatura gerou, dentro e fora de portas da Câmara, contando com a colaboração muito próxima de um «conjunto de pessoas que conhecem muito bem o nosso património natural». Destaque especial merecem-lhe Filipe Carvalho, adjunto da presidência da autarquia, bem como de Paulo Silva, da empresa Transserrano.
Independentemente do desfecho que o concurso para a eleição das 7 Maravilhas Naturais de Portugal possa ter no que se refere à candidatura dos Penedos de Góis e do Vale do Ceira, Lurdes Castanheira quer firmar e dar a conhecer este património único. Recorda, a propósito, que um dos seus objectivos, ainda enquanto candidata à Câmara de Góis, foi efectivamente a candidatura destes ex-libris «a património nacional ou ao nível da Unesco», uma vez que «é um património único, ao qual ainda não foi ainda atribuído o valor que merece nem reconhecida a sua imensa riqueza».
Significa pois, de acordo com a autarca, que este concurso se “encaixou” perfeitamente naquilo que são os objectivos da Câmara de Góis, apresentando--se como que uma primeira fase ou uma experiência pioneira para “voos mais altos” que Lurdes Castanheira está empenhada em empreender, no sentido de obter o justo reconhecimento deste património.
Apesar de reconhecer a «pouca projecção» que o concelho de Góis possa ter a nível nacional, Lurdes Castanheira acredita que todo o território vai estar, em termos de concurso, em igualdade de circunstâncias com todos os outros e assume que «gostaríamos muito que uma das nossa candidaturas fosse eleita como uma das 7 Maravilhas de Portugal». Mas «se isso não acontecer, vamos avançar com outras processos de candidatura», adianta, garantindo que «não vamos deixar passar em branco qualquer oportunidade». Com a garra que lhe é característica, Lurdes Castanheira afirma que «temos de ser ambiciosos, sem ambição não há desenvolvimento».
Referências ímpares
A presidente da Câmara de Góis refere ainda, a propósito dos Penedos de Góis, o facto de se tratar de um «monumento sem qualquer intervenção humana», que, de resto, tem sido preservado da proximidade de torres eólicas. Trata-se, defende, de «um dos mais soberbos miradouros naturais da região Centro», que no seu ponto mais alto atinge uma cota de 1.043 metros de altitude. Aponta ainda a riqueza que rodeia este afloramento quartzítico do período do Ordovício, quer em termos de flora, quer de fauna, características da Serra da Lousã, que integra a Rede Natura 2000. Faz ainda notar que se trata de um monumento que, pelas suas especificidades em termos geomorfológicos, tem atraído investigadores de várias universidades.
Relativamente ao Vale do Ceira, Lurdes Castanheira refere que em causa está um «vale encantado», que retrata uma «paisagem idílica», repleta de elementos de grande riqueza e biodiversidade, cujas águas cristalinas são uma «referência ímpar». Uma zona onde o «homem sempre viveu em total harmonia com a natureza» e que constitui, adianta, «um valor histórico, cultural e etnográfico das gentes que aqui se estabeleceram, abraçando o modo de vida dos seus antepassados, vivendo em consonância com a natureza e dela subsistindo».
in Diário de Coimbra, 13-01-2010